Bandeiras Paulistas
Uma das grandes características de São Paulo no período colonial, sobretudo no século XVII, foram as chamadas bandeiras, expedições que objetivavam principalmente a captura de povos indígenas. Além disso, havia a expectativa de encontrar metais preciosos no interior, o que levou as autoridades portuguesas, em algumas ocasiões, a incentivarem expedições.
Com a mortandade indígena e a intensificação das atividades agrícolas, paulistas alcançavam regiões cada vez mais distantes em busca de escravos índios. Na ata da Câmara de 1º de fevereiro de 1681, consta o registro de que um vereador pediu para ser substituído no cargo para poder “ir buscar remédio no sertão que é o trato ordinário desta terra”. As expressões “buscar remédio no sertão” e “buscar remédio para a pobreza” apareciam com frequência na documentação paulista do período, para indicar a busca por escravos.
As bandeiras não eram muito grandes: delas participavam entre dez e vinte “brancos” (ou assemelhados) e cinquenta a oitenta índios considerados mansos. Os que eram capturados podiam também ser vendidos a outras regiões da colônia, embora a finalidade principal fosse abastecer a própria vila. A busca por cativos levou moradores da vila de São Paulo a áreas cada vez mais longínquas, como regiões dos atuais estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Muitas missões jesuítas, sobretudo no sul, foram atacadas por bandeirantes paulistas, pois dali poderiam levar índios guaranis. A escravidão dos índios foi uma das fortes razões para a tensão entre os moradores da vila e os jesuítas, expulsos em 1640.
No caso das missões jesuítas do Sul, um dos argumentos para atacá-las era que castelhanos estariam em terras da Coroa portuguesa para capturarem índios. De acordo com texto que aparece na ata da Câmara de 2 de fevereiro de 1627, eles estariam “descendo todo o gentio (índio) que está nesta coroa para seus repartimentos e serviços”

Com isso, muitas aldeias indígenas e jesuítas foram invadidas e milhares de índios capturados. Essas ações no Sul continuaram nos anos seguintes.
Uma das maiores viagens bandeiristas, conduzida por Antonio Raposo Tavares, partiu de São Paulo em 1628. Tratava-se de uma expedição diferente das que ocorriam no período, pois foi a primeira conduzida em larga escala. Acredita-se que tenha partido com mais de cem paulistas (entre portugueses e mamelucos) e centenas de índios. O objetivo principal era capturar índios e trazer de volta à vila aqueles que haviam fugido.

Raposo Tavares chegou a ser juiz na Câmara Municipal de São Paulo, em 1633, mas depois se pôs a caminho para outras expedições. A última delas começou em 1648 e durou três anos, percorrendo vários rios das bacias Tietê-Paraná e Amazônica, quase alcançando os Andes.
Em muitas ocasiões, era necessário pedir autorização à Câmara Municipal para iniciar uma bandeira, apresentando explicações que justificassem a saída para o interior.
As notícias sobre as viagens bandeirantes alcançavam outras regiões, a ponto de paulistas serem contratados para acabarem com quilombos e revoltas indígenas no Nordeste.

As bandeiras para procura de metais preciosos foram encorajadas no final do século XVII.Cartas régias foram enviadas à Câmara Municipal e a alguns bandeirantes conhecidos, incentivando-os a encontrarem ouro.
Em 1674, Fernão Dias, que havia sido juiz na Câmara, liderou uma bandeira para a região da atual Minas Gerais, mas faleceu em 1681, pensando ter encontrado esmeraldas (na verdade, eram turmalinas, sem valor na época). Os paulistas encontraram ouro apenas entre 1694 e 1695, e diamante somente na década de 1720

Começava a corrida pela exploração do ouro nos territórios que formaram as Minas Gerais. Pouco tempo depois das descobertas na região, ouro também foi encontrado nos territórios que formaram Cuiabá e Goiás, respectivamente, capitais do que seriam Mato Grosso e Goiás. Com isso, diminuiu a captura de índios de terras distantes para serem escravos na vila de São Paulo, embora não tenha acabado por completo. Aumentou, contudo, a vinda de portugueses e escravos negros, trazidos da África. Estes eram presentes em São Paulo em períodos anteriores, mas em número bem reduzido. A vila se firmava, dessa maneira, como importante entreposto comercial.

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