Cacique Tibiriçá
Tibiriçá, era o principal líder tupiniquim da região do Planalto de Piratininga e chefiava a aldeia de Inhapuambuçu, também chamada de Piratininga.
Por essa época, havia outras duas aldeias importantes na região, ambas lideradas por irmãos de Tibiriçá: Ururaí, chefiada por Piquerobi, e Jerubatuba, por Caiubi. Ururaí iria mais tarde dar origem a aldeia colonial de São Miguel e Jerubatiba deu origem ao bairro de Santo Amaro.
Buscando alianças, Tibiriçá casou duas de suas filhas com europeus: Bartira (ou M´bcy), depois batizada com o nome de Isabel Dias, casou-se com João Ramalho, e Terebe, depois batizada como Maria Grã, casou-se com Pedro Dias.
Tibiriçá ajudou na construção da capela e do Colégio de São Paulo de Piratininga em sua aldeia, e autorizou a conversão de sua tribo e dele próprio ao cristianismo. Ao ser batizado, recebeu o nome de Martim Afonso Tibiriçá, em homenagem à Martim Afonso de Sousa, fundador da Vila de São Vicente. Seu irmão, Caiubi, por sua vez, foi batizado com o nome cristão de João.
Segundo o Padre José de Anchieta, entre todas as lideranças indígenas da região, Tibiriçá foi quem deu “maiores demonstrações de Cristão”, pois “juntou logo toda a sua gente, que estava repartida por três aldeias pequenas”, ajudou a edificar a “casa” dos padres e propiciou aos inacianos “farinha, e legumes e algumas vezes também carnes e peixes”.
Tibiriçá morreu em consequência de uma peste que atingia o planalto paulista. Enquanto esteve doente, recebeu assistência diária dos padres. Ao morrer, foi enterrado no interior do Colégio dos Jesuítas e recebeu o hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo, privilégio concedido a poucos. Foi enterrado na igreja inaciana, “com muita honra”, acompanhado de todos os cristãos portugueses.
No dia 16 de abril de 1563, José de Anchieta comunica por carta a morte do cacique Tibiriçá, ao Superior da Companhia de Jesus, Padre Diego Laynes:
"Morreu (...) o nosso principal, grande amigo e protetor Martim Afonso, o qual depois de se haver feito inimigo de seus próprios irmãos e parentes, por amor a Deus e da Sua Igreja, e depois de lhe haver dado Nosso Senhor a vitória sobre seus inimigos, estando ele com grandes propósitos e bem determinado a defender a causa dos Cristãos, e nossa Casa de S. Paulo, que bem conhecia ter sido edificada em sua terra por amor dele e de seus filhos, quis dar-lhe Deus o galardão de suas obras, dando-lhe uma doença de câmaras de sangue, na qual como não houvesse sinal de melhoria, mandou chamar um Padre que todos os dias o visitava e curava; confessou-se (...) fez seu testamento, e deixou recomendado à sua mulher e filhos que seguissem nossas palavras e doutrina. E no dia da Natividade de N. S. Jesus Cristo morreu, para nascer em vida de glória. Foi enterrado em nossa igreja, com muita honra, acompanhando-o todos os Cristãos Portugueses com a cera de sua confraria. Ficou toda a Capitania com grande sentimento de sua morte, pela falta que sentem (...) mais que todos creio que lhe devemos nós os da Companhia, e por isso determinou dar-lhe em conta não só de benfeitor, mas ainda de fundador e conservador da casa de Piratininga e de nossas vidas; porque havendo ele ajudado a fazê-la com suas próprias mãos, e havendo-nos ajudado a sustentar logo em princípio de sua fundação"

Últimas Atualizações