Jesuítas
Aceita por D. João III, por intermédio do Padre Simão Rodrigues de Azevedo, foi adotada a idéia de evangelização dos indígenas do Brasil pelos padres da Companhia de Jesus, e foram designados seis jesuítas, que partiram com Tomé de Sousa (Primeiro Governador-Geral do Brasil) em 1549. Eram eles: Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro, Vicente Rodrigues, Antonio Pires e o irmão Diogo Jácome, liderados pelo Padre Manuel da Nóbrega.

Um ano depois, na esquadra de Simão Gomes de Andrade, vieram mais quatro.
Na ocasião em que Tomé de Sousa percorreu a costa sul do Brasil, em 1553, em inspeção às capitanias, que constituíam seu governo geral, veio, em sua companhia o Padre Manuel da Nóbrega.
Estando a vila de Santo André constantemente ameaçada pelos povos indígenas da região, no dia seguinte, tomam o caminho de Piratininga (palavra que significa “peixe seco”), na busca de um local seguro para a fundação do Colégio. Estavam instruídos a construir um colégio para a catequese dos indígenas tupiniquins, carijós e da nação tamoios que viviam por lá. Esse local abrigaria os treze jesuítas e serviria ao mesmo tempo como dormitório, enfermaria, salas de aula, refeitório e cozinha. Por algum tempo, serviu também como capela.
Chegando em Piratininga, escolhem uma colina chamada Inhapuambuçu (que pode ser traduzido como “lugar que se vê longe”), como os nativos denominavam a colina que ficava entre o vale do rio Tamandatueí e o do rio Anhangabaú onde encontraram "ares frios e temperados como os de Espanha" e "uma terra muito sadia, fresca e de boas águas". Pouca coisa havia naquele lugar, a não ser a Mata Atlântica, nativa e muito exuberante, com muita revoada de pássaros tropicais.

Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita.
Com a ajuda do Cacique Tibiriçá e de seu irmão, o Índio Caiubi, uma casa de pau a pique sobre a grande colina bem no centro dos Campos de Piratininga, conhecida como Itapetininga, onde é atualmente o Pateo do Colegio (berço da cidade São Paulo), a qual serviria como escola, centro catequista e de proteção para os “brasis”.
A construção ficava perto de um despenhadeiro, no alto do Inhapuambuçu com vista para o Leste, local de vigilância contra as incursões Tupinambás que chegavam do Litoral Norte e do Vale do Paraíba.
Esta colina era de fato um pequeno planalto, constituído de mata densa com alguns caminhos como os do Inhapuambuçu, (atual rua XV de Novembro) e o Caminho do Sertão (Rua Direita).
Manuel da Nóbrega se encontrava na Vila de São Vicente e havia solicitado que fossem enviados mais jesuítas para ajudá-lo na exploração de novas terras. Em 24 de dezembro de 1553 chega ao Brasil, com a esquadra de D. Duarte da Costa, segundo Governador Geral do Brasil, a pedido do jesuíta Manuel da Nóbrega, um novo grupo de sete jesuítas. Nesse grupo estava José de Anchieta, com 19 anos de idade.
Logo depois do Dia de Reis, o grupo formado por treze padres, liderados por Manuel da Nóbrega sobe a serra do mar, em direção à Vila de Santo André da Borda do Campo, que não passava de um amontoado de casebres de taipa. Após 18 dias de jornada na subida da serra, chegaram à Paranapiacaba (palavra que significa “de onde se avista o mar”), 800 metros acima.
Nos primeiros tempos a pobreza dos jesuítas foi extraordinária, vivendo de esmolas. Caminhavam com alpercatas feitas com fibras do país por eles mesmos trançadas.

As igrejas fundadas pelos jesuítas eram miseráveis, e nelas faltava tudo. Nessas igrejas não poderia haver a pompa do culto católico que a todos impressionava, especialmente os primitivos.
Os padres da Companhia não se limitaram só ao ensino da doutrina; eles também cuidavam de doentes e socorriam os que morriam no sertão.

As cartas jesuíticas falam continuamente nos curativos que faziam aos índios, e freqüentemente nas suas próprias enfermidades. Nelas constam que o Manuel da Nóbrega vivia com as pernas inflamadas e tinha problemas de estômago (o que, segundo palavras dele mesmo, era aqui moléstia quase mortal); o Padre Luís da Grã fazia a catequese com grandes tumores nos peitos; o Padre Antônio Pires esteve debilitado por causa da malária; o Padre Vicente Rodrigues tinha contínuas dores de cabeça; o Padre José de Anchieta tinha a saúde frágil.

Não poderia seer diferente, uma vez que viviam mal abrigados, mal alimentados, mal dormidos, vergados sob o trabalho da catequese, sem higiene, em terras brutas, em descampados ou em matas cheias de animais selvagens ou peçonhentos e de índios canibais.
Sem abandonar a catequese nas selvas, os primeiros jesuítas edificaram igrejas e colégios para meninos. A estratégia era atrair as mulheres e ensinar os meninos para, através deles, alcançar todos os demais.
Na ausência de vigários, nesses tempos em que todos os poderes se confundiam, os meios religiosos equivaliam a atos da vida civil, que só tinham validade depois de consagrados pela Igreja.

Fora da Igreja, no começo do século 16, em Portugal, não havia vida civil na terra nem salvação no céu. Eles batizavam, e o sacramento, além de celebrar o ingresso no cristianismo, servia também como um registro de nascimento, introduzindo o recém-nascido na vida civil.

O mesmo acontecia com o matrimônio, que representava um registro da legalidade da família, da legitimidade dos filhos, e servia de comprovação para a instituição do regime dos bens, o pátrio poder;

O sacramento da extrema unção era uma espécie de certidão de óbito que provava a morte, dando origem à transmissão dos bens, das heranças, da distribuição dos legados.
FONTES DE REFERÊNCIA:
História da cidade de São Paulo. Affonso de Escragnolle Taunay.

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