Os primeiros anos (1601 a 1650)
Em 3 de julho de 1611 foi promulgada uma lei declarando os aborígines livres do cativeiro. Por causa dessa lei, os embates entre os capturadores de índios e os jesuítas se acirrou e eclodiu em um grande conflito em 1612, em que os jesuítas viram-se ameaçados de expulsão do seu colégio.
Em 1619, a Câmara instalou-se em prédio próprio, comprado de Francisco Roiz Velho, localizado, provavelmente, na Rua São Bento.
No século XVII, São Paulo havia se tornado um expressivo centro produtor de gêneros agrícolas, que utilizava farta mão-de-obra escrava. Com a mortandade de índios no século XVI, aumentou a necessidade de buscar braços em regiões cada vez mais distantes. Os escravos índios eram chamados de “negros da terra”.

A posição da monarquia portuguesa era ambígua: em alguns momentos, proibia; em outros, tolerava a escravidão indígena.
A maior oposição à escravidão dos índios vinha dos jesuítas, que por sua vez tentavam inseri-los no cotidiano dos aldeamentos, onde seriam levados a viver de acordo com os modelos europeus de agricultura e pecuária.
Na Câmara Municipal de São Paulo, os vereadores nem sempre concordavam a respeito da situação dos índios. Entretanto, por sua própria composição, prevaleceu a posição favorável aos colonos, contra os jesuítas.
Os colonos paulistas, interessados no braço indígena, argumentavam que os jesuítas deveriam se restringir a doutrinar os índios, e não ter domínio sobre eles. Pretendia-se, dessa forma, utilizar os índios aldeados para o trabalho na vila e seu termo. A tensão entre colonos e jesuítas chegou a um ponto que estes foram expulsos de São Paulo, de acordo com ata lavrada na sessão da Câmara em 13 de julho de 1640, assinada por 226 moradores da vila. Essa decisão gerou intensa controvérsia com autoridades portuguesas, que acusavam os paulistas de serem desobedientes ao rei.
Com o fim da União Ibérica em 1640, subiu ao trono português o rei D. João IV. O evento, comemorado em algumas vilas e cidades da colônia, foi rejeitado por parte significativa dos paulistas, que mantinham comércio com regiões castelhanas e temiam mudanças que dificultassem a prática de buscar índios no interior. Aliás, havia muitos castelhanos em São Paulo naquele período. Assim, numa tentativa de evitar o retorno do domínio português, foi aclamado como rei de São Paulo o rico habitante Amador Bueno. Este, entretanto, declarou-se fiel ao rei de Portugal e refugiou-se no Mosteiro de São Bento.

O movimento durou algumas horas. Finalmente, diante da negativa de Bueno, D. João IV foi aclamado rei. O episódio é envolto em mistérios e pouco documentado.
Amador Bueno exerceu, em diversos momentos, funções na Câmara Municipal: foi vereador em 1623 e 1628, juiz ordinário em 1639 e procurador em 1640. Em 1642, foi escolhido como representante do povo para ir à Corte de d. João IV. Não houve, dessa maneira, nenhuma ruptura com a Coroa portuguesa, embora a vila de São Paulo fosse bastante independente em suas decisões.
Apenas em 1647 o rei concedeu alvará de perdão aos paulistas, desde que devolvessem aos jesuítas bens que haviam deixado na vila. Os membros da Câmara não concordaram plenamente com o alvará, pois afirmavam que se o rei estivesse bem informado, aprovaria a expulsão definitiva dos jesuítas.
Na década de 1640, ocorria na vila de São Paulo um conflito entre duas famílias dominantes, os Pires e Camargo, em uma disputa de poder que durou anos, envolvendo o comando da Câmara Municipal e o controle da grande quantidade de índios na vila, principalmente após a expulsão dos jesuítas.

Em um clima de instabilidade social, ambas os lados mobilizaram homens, incluindo muitos índios, em verdadeiras batalhas campais, cujo auge foi a década de 1650.

Diante dessa situação, o governador geral sancionou uma concordata em 1655, propondo a alternância das duas famílias no controle da Câmara Municipal. A paz entre as duas facções foi firmada apenas em 1660
FONTES DE REFERÊNCIA:
História da cidade de São Paulo. Affonso de Escragnolle Taunay.

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