Missão Jesuíta em São Paulo
Em 3 de julho de 1611 foi promulgada uma lei declarando os aborígines livres do cativeiro. Por causa dessa lei, os embates entre os capturadores de índios e os jesuítas se acirrou e eclodiu em um grande conflito em 1612, em que os jesuítas viram-se ameaçados de expulsão do seu colégio.
A companhia de Jesus foi aprovada pelo Papa Paulo III em 1540.
Organizou-se com um Superior Geral – Inácio de Loyola – em Roma e com diversos Provinciais nas diferentes regiões do mundo. O Padre Simão Rodrigues de Azevedo ficou em Lisboa e foi em Portugal o primeiro Provincial.
Os jesuítas faziam voto de pobreza, de castidade e de obediência e se organizaram para defender e revigorar a fé católica, então extremamente abalada pela Reforma.
Aceita por D. João III, a sugestão do Padre Diogo de Gouveia, por intermédio do Padre Simão Rodrigues de Azevedo, foi adotada a idéia de evangelização dos indígenas do Brasil pelos padres da Companhia de Jesus, e foram designados seis jesuítas que partiram com Tomé de Sousa em 1549, primeiro Governador-Geral do Brasil.
Vieram mais quatro na esquadra de Simão Gomes de Andrade, em 1550, e com D. Duarte da Costa, segundo Governador Geral do Brasil, em 3 de julho de 1553, ainda vieram sete. Entre estes últimos veio o Irmão José de Anchieta.
A missão, a que os jesuítas se impuseram nas terras do Brasil para catequese, foi inçada de imensas dificuldades e bem mais difícil que em qualquer outra parte do mundo, pois não vieram mudar ou transformar uma crença para outra melhor; vieram criar crenças no espírito bruto de selvagens e no meio de selvagens.
No Brasil os primeiros jesuítas vieram catequizar índios nômades, antropófagos, sem cidades ou vilas, sem laços sociais ou de família, sem outras necessidades que as de seus instintos, sem nenhuma idéia de uma divindade.
Nos primeiros tempos a sua pobreza foi extraordinária, vivendo de esmolas recebidas daqueles que deviam ensinar.
O Padre Manuel da Nóbrega, em 1552, ainda usava a mesma roupa que trouxera do reino (Cartas Jesuíticas, vol. 1º, págs. 129, 138 e 140).
Caminhavam os jesuítas com alpercatas feitas com fibras do país por eles mesmos trançadas.
As Cartas Jesuíticas falam continuamente nos curativos que faziam aos índios, e freqüentemente nas suas próprias enfermidades e doenças.
Assim Manuel da Nóbrega andava sempre com as pernas inflamadas e tinha inchação de estômago, moléstia, que segundo o seu dizer, era aqui quase mortal; o Padre Luís da Grã fazia a catequese com grandes tumores nos peitos; o Padre Antônio Pires esteve fraquíssimo por causa da malária; o Padre Vicente Rodrigues tinha contínuas dores de cabeça, que passavam por sugestão ou obediência a Nóbrega; o Padre José de Anchieta ficava doente com facilidade.
Encontram-se nas cartas muitas notícias a respeito das moléstias dos padres.
Os padres viviam mal abrigados, mal alimentados com comidas escassas e exóticas, mal dormidos, vergados sob o trabalho da catequese, sem higiene, em terras brutas, em descampados ou em matas cheias de cobras venenosas, de feras bravias e de índios canibais, matas cujos rios, nas inundações periódicas, produziam mosquitos pestíferos.
As igrejas que fundavam eram miseráveis, e nelas faltava tudo.
Sem abandonar a catequese nas selvas, os primeiros jesuítas edificaram igrejas que, atraíam as mulheres, e passaram a criar escolas onde ensinavam os meninos, considerando que, por meio delas e com estes, chegariam a civilização dos outros, de todos.
Os jesuítas, nos primeiros tempos, foram em pequeno número e eram muito pobres; as suas escolas foram estreitas e as suas igrejas miseráeis, nas quais não poderia haver a pompa do culto católico que a todos impressiona, principalmente aos primitivos.
Fora da Igreja, no começo do século 16, em Portugal, não havia vida civil na terra nem salvação no céu. Eles batizavam, que era também um registro, que provava a entrada na vida civil, o nascimento, a maioridade, e com esta a plena posse dos direitos individuais. Nos primeiros tempos casavam, e sempre induziam severamente para o matrimônio, celebrando um sacramento, mas que era ao mesmo tempo o registro que provava a legalidade da família, a legitimidade dos filhos, instituindo o regime dos bens, o pátrio poder; administravam a extrema unção, outro sacramento, que, como o enterramento, era uma espécie de certidão de óbito que provava a morte, dando origem à transmissão dos bens, das heranças, da distribuição dos legados.
Os jesuítas procuravam influir nas autoridades locais; e, conseguiram inspirar leis que proibissem as guerras e a conseqüente escravidão do gentio pelos colonos. Isso contrariava abertamente os interesses imediatos dos colonos, e por conseqüência, enfraquecia a posse que os reis queriam manter nos descobrimentos.
FONTES DE REFERÊNCIA:
História da cidade de São Paulo. Affonso de Escragnolle Taunay.

Últimas Atualizações